Publicações · 10 de junho de 2026

FPLM Debate Alternativas à PEC 6x1: A PEC da Hora Trabalhada em Foco

Debate legislativo no Salão Nobre da Câmara dos Deputados coloca frente a frente duas propostas de modernização das relações de trabalho.

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Plenário do Salão Nobre da Câmara dos Deputados durante o debate da FPLM sobre PEC 6x1 e PEC 12/2026
Debate legislativo no Salão Nobre da Câmara dos Deputados — Brasília, 10 de junho de 2026.

A Frente Parlamentar Mista pelo Livre Mercado, em parceria com a Associação pelo Livre Mercado, realizou debate legislativo nesta quarta-feira (10 de junho) no Salão Nobre da Câmara dos Deputados, em Brasília, retomando oficialmente as atividades no Congresso Nacional.

O tema central foi claro: "PEC 6x1 e alternativas para a modernização das relações de trabalho". A discussão colocou frente a frente duas propostas distintas de reforma — e muito diferentes em suas abordagens.

Parlamentar discursa em tribuna durante o debate sobre PEC 6x1
Pronunciamento durante a abertura do debate legislativo.

Duas Propostas, Duas Filosofias

PEC 221/2019 (PEC 6x1)

A proposta do governo federal extingue a escala de trabalho 6x1 e fixa uma jornada máxima única de 40 horas semanais para todos os trabalhadores, em todas as categorias, em todos os setores.

Status: Aprovada em dois turnos pela Câmara dos Deputados. Tramita agora no Senado com expectativa de votação em julho.

Lógica: Uma regra única para toda a economia.

PEC 12/2026 (PEC da Hora Trabalhada)

Apresentada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição no Senado, a PEC 12/2026 propõe modelo alternativo baseado em horas efetivamente trabalhadas.

Mecanismo: Trabalhador recebe pelas horas em que prestou serviço, mantendo direitos (13º, férias, terço constitucional, FGTS, INSS) calculados proporcionalmente às horas trabalhadas. Piso mínimo é salário mínimo nacional ou piso da categoria.

Status: Apoio de 35 senadores. Aguarda designação de relator na CCJ do Senado.

Lógica: Flexibilização negociada entre empregado e empregador.

O Ponto de Discordância

Durante o debate, ficou claro que a discordância não é sobre a necessidade de modernizar — todos concordam que isso é urgente. A discordância é sobre como.

PEC 6x1 diz: "A lei deve dizer como é a jornada, igual para todos".

PEC 12/2026 diz: "A lei deve permitir flexibilidade, com negociação entre as partes".

Vista da tribuna principal e mesa diretora do debate sobre reforma trabalhista
Mesa diretora durante a apresentação dos argumentos técnicos.

Os Argumentos Contra a Regra Única

Vários participantes fizeram críticas específicas à PEC 6x1, apontando consequências que uma regra única poderia gerar.

O Problema das Micro e Pequenas Empresas

Rafael Sacchi, representante da FIERGS (Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul), foi direto:

Cerca de 80% dos empregos no Brasil são gerados por micro e pequenas empresas. Essas empresas não têm margem para absorver o custo adicional de uma regra rígida imposta por lei.

Resultado: parte da geração de empregos vai para a informalidade.

Implicação: A PEC 6x1, criada para "proteger trabalhadores", pode acabar eliminando oportunidades justamente para os trabalhadores que deveria proteger.

A Realidade Setorial

Gilson Marques (NOVO-SC) usou uma comparação clara:

"Não existe uma jornada que sirva para todo mundo. Engessar a escala de trabalho numa regra única é como exigir que todo mundo calce o mesmo número de bota: vai sobrar para uns e apertar para outros."

Exemplo prático: Hospitais e serviços de segurança já usam escalas de 12x36 (12 horas trabalhadas, 36 horas de descanso) por meio de convenção coletiva. Essa flexibilidade negociada é o que permite esses setores funcionarem.

Forçar 40 horas semanais uniformes quebraria esses modelos.

O Problema da Competitividade

Paulo Afonso Lustosa, presidente da FENATAC (Federação de Transporte de Cargas), apontou um dado específico:

A idade média dos motoristas de caminhão no Brasil é o dobro da registrada nos Estados Unidos. Isso reflete dificuldade de renovação de mão de obra no setor — causada em grande parte por regras trabalhistas rígidas que aumentam custos.

Resultado: custos logísticos mais altos, competitividade nacional afetada.

Lustosa manifestou apoio integral à PEC 12/2026 como alternativa.

A Questão da Qualificação

José Alberto Pereira Ribeiro, presidente da BRASINFRA (Associação de Classe de Infraestrutura) com 40 anos de atuação sindical, ressaltou falta de mão de obra qualificada para infraestrutura.

Seu ponto: com mudanças na jornada, o papel das federações, sindicatos e confederações na qualificação de trabalhadores fica mais crítico. A responsabilidade não fica só no Senado — precisa chegar à base, aos estados.

O Apoio Empresarial

A PEC 12/2026 tem respaldo significativo do setor produtivo.

Um manifesto intitulado "Uma Carta para o Brasil que Acorda Cedo" foi lançado em 9 de junho, dirigido aos senadores, com apoio formal de cerca de três mil entidades empresariais.

Entre os principais signatários:

  • Confederação Nacional da Indústria (CNI)
  • Federação das Indústrias de São Paulo (FIESP)
  • Confederação Nacional da Agricultura (CNA)
  • Confederação Nacional do Comércio (CNC)
  • Confederação Nacional do Transporte (CNT)
  • Movimento Pró-Brasil (MPB)
  • Federações, associações e sindicatos industriais

Representação: Mais de 40 milhões de empregos. Cerca de 90% do PIB brasileiro.

Esse nível de apoio sugere que a preocupação com rigidez de jornada não é ideológica — é operacional.

A Realidade Legislativa

PEC 6x1 já foi aprovada em dois turnos pela Câmara. Tem "boas chances de aprovação ainda em julho" segundo informações do evento.

PEC 12/2026 ainda está em fase anterior — aguardando relator na CCJ do Senado.

Para avançar, precisa de apoio de 49 dos 81 senadores em cada turno (na CCJ e depois em dois turnos no Plenário).

Isso significa que a votação da PEC 12/2026 teria que acontecer antes da votação final da PEC 6x1, para apresentar alternativa viável.

Timeline é apertada.

O que Diferencia as Propostas

AspectoPEC 6x1PEC 12/2026
Jornada máxima40h/semana uniforme para todosVariável por negociação
FlexibilidadeNenhumaTotal (negociada)
Escalas atuaisElimina (até 12x36 seria reduzida)Mantém e permite outras
Direitos trabalhistasMantémMantém (proporcionais)
NegociaçãoNão há (lei fixa)Central (entre partes)
Impacto em MPEAlto (aumento de custo fixo)Menor (custo variável)

Por que Isso Importa

Essa discussão não é teórica. Reforma trabalhista define:

  • Quanto custa gerar emprego
  • Quantas pessoas uma empresa consegue contratar
  • Quais setores conseguem manter operação
  • Quanto da economia vai para formalidade vs. informalidade
  • Se Brasil fica competitivo em custos laborais

Uma regra rígida (PEC 6x1) simplifica a lei. Uma regra flexível (PEC 12/2026) mantém complexidade, mas permite adaptação à realidade.

A pergunta central: qual gera mais empregos, formais, bem remunerados?

Os dados que vários participantes apresentaram sugerem que PEC 12/2026 teria essa vantagem. Mas essa é análise que parlamentares precisam fazer.

Próximos Passos

O Senado aprovou requerimentos para audiências públicas com:

  • Representantes de trabalhadores
  • Empresários
  • Economistas

Essas audiências acontecerão antes das votações. Cronograma:

  1. Audiências públicas (próximas semanas)
  2. Votação na CCJ
  3. Votação em dois turnos no Plenário do Senado
  4. Se aprovada, segue para Câmara